Vitaminas e suplementos

Que atire a primeira pedra quem nunca utilizou nenhum suplemento com o objetivo de obter ganhos em sua saúde, de uma pastilha efervescente com vitamina C a uma margarina enriquecida com ômega-3. Contudo, em muitos casos, parece que a fé é o que mais move essas multidões do que a evidência que temos de que essas substâncias realmente funcionam.

O website informationisbeautiful.net, que tem como objetivo converter o conhecimento em belos, interessantes e úteis gráficos e diagramas, disponibilizou um infográfico sobre dieta e suplementos. As informações, em sua maioria, foram obtidas com base em estudos originais e revisões sistemáticas disponíveis na Biblioteca Cochrane e no PubMed. O infográfico pode ser acessado nesse LINK.

No gráfico, o tamanho do círculo está relacionado ao interesse popular, aferido pelo volume de buscas que o suplemento possui no Google. Quanto mais no topo do gráfico o componente está, maior seu nível de evidência. Interessante salientar que a grande maioria desses suplementos, apesar do interesse popular, possui pequeno ou nenhum benefício, seus dados são inconclusivos, ou, até mesmo, pode conferir risco ao usuário. É imprescindível haver iniciativas de pesquisa, sejam estudos primários observacionais ou de intervenção, sejam estudos secundários como revisões sistemáticas, avaliando os benefícios e riscos de suplementos, nutrientes e outras práticas comuns na dita medicina popular.

Breve comentário sobre viés de publicação

Para pesquisadores que estão realizando revisões sobre assuntos relacionados, gostaríamos de alertar bastante para o risco de ocorrência de viés de publicação. Imaginamos que diversos estudos tenham sido desenvolvidos, avaliando os mais diversos suplementos e nutrientes. Contudo, é de se esperar que estudos com resultados positivos (e assim, mais interessantes) possuam maior probabilidade de serem publicados, enquanto estudos que não identificaram efeito tendem a ter maiores dificuldades de publicação, frequentemente sendo engavetados ou publicados em periódicos de pouca expressão. Assim, ao buscar a literatura, podemos ter uma falsa impressão da existência de efeito quando, na verdade, apenas identificamos estudos com maior probabilidade de terem efeitos positivos. Esse fato caracteriza o que chamamos de viés de publicação.

Vale a pena comentar que notícias interessantes são bem mais prováveis de ganharem visibilidade. Na ciência não é diferente: estudos mostrando benefício ganham maior projeção, enquanto menos gente se interessa por estudos que não dão resultados. Assim, se cinco pessoas, independentemente, fizerem um estudo do efeito do consumo de pasta de amendoim no tratamento de varizes e, pelo acaso, um desses estudos mostrar benefício e os outro quatro não mostrarem efeito algum, é bem provável de que apenas esse estudo mostrando benefício seja publicado, nos levando a crer que a pasta de amendoim funciona. Para a construção desse gráfico foi levado em consideração o conjunto da evidência como um todo, por isso, apesar de existirem estudos individuais mostrando que algumas substâncias funcionam, a sua evidência foi classificada como baixa. Assim, na próxima vez que lerem alguma matéria dizendo que determinado suplemento é bom, lembre-se dessa nossa discussão antes de correr para a farmácia mais próxima.

Maicon Falavigna
Médico Epidemiologista
Porto Alegre, RS

Referências
1. http://htanalyze.com
2. http://www.informationisbeautiful.net/visualizations/snake-oil-supplements/

 


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