Tese sobre o câncer

Estou consciente do esforço hercúleo que farei para tentar não tornar este depoimento uma verdadeira Tese… E isso se deve a minha prolixidade (oral e escrita) – talvez um hábito das professoras de Português… de toda forma, quando tive câncer, creio que gostaria muito de ter lido alguns depoimentos, uma vez que dividir experiências como essa só nos ajudam a superar essa doença.
Estávamos no final do ano 2010. A minha ginecologista não ficou satisfeita com minha ecografia mamária anual e praticamente “me obrigou” a fazer uma biópsia no seio esquerdo. (Eu não queria fazer!)… No entanto, graças a ela descobri que estava com câncer… quando abri o envelope com o resultado, senti o real significado da expressão “perdi o chão”.
Não acreditava! Nunca houve casos de câncer de mama em minha família; minha mãe morreu de infarto… Enfim, liguei para a minha irmã aos prantos e, em seguida, para o meu marido. Os dois foram verdadeiros anjos para mim em todo esse processo…Não há palavras para agradecer a eles, aos meus filhos, parentes e amigos.
Então, minha médica me operou, retirou o tumor e, a partir daí, passou-me para a oncologista… a médica mais doce e profissional que já conheci. Sem “jogação de confetes”, tive a maior sorte de ter sido acompanhada por essas duas médicas humanas e excelentes profissionais!
As sessões de químio começaram já na virada do ano de 2010 para 2011… em pleno verão.. .E eu – que amo o sol – tive que fugir dele… e eu – que apesar de estar com 51 anos na época – sempre vaidosa, sofri demais por perder TODOS os cabelos!!!! Até os cílios… perdi unha do pé… Enfim, um verão difícil!
Meu consolo (?) era de estar magra!!! Comprava roupa tamanho “P”!!!!
Também jamais vou me esquecer do carinho da médica… o celular parecia uma extensão da mão dela! Todas as vezes que ligava, ela me atendia! Sempre!
Aqui abro um parêntese para dizer que nunca consegui usar peruca…parecia que eu tinha um cachorro em minha cabeça…. então usei lenços e chapéus!
Também gostaria de relatar um episódio que me marcou demais…
Como sempre tive osteoporose, creio que meus ossos ficaram mais frágeis depois do tratamento e cheguei a trincar a coluna e ter que usar um colete…Foi muito ruim (era época de formatura de um dos meus filhos) encontrar roupa e tentar ajeitar os cabelos que começavam a crescer espigados, brancos e em algumas partes preto…. eu parecia um gambá.  Enfim, resolvi pintar todo de branco. Quando por fim tirei o colete, fiz uma ressonância em um hospital e o laudo dizia que eu estava com câncer nos ossos…ou algo assim! Aí foi barra!!! Mas uma junta médica avaliou bem os exames e no fim… não era!
Bem, aqui estou resumindo ao máximo porque essa parte eu tento esquecer… foram algumas semanas de muito sofrimento, acreditando que eu ia morrer.. .
Segui tomando Tamoxifeno por 4 anos. Após isso, tirei o útero por conta de estar desenvolvendo uma endometriose… Não tenho os ovários também. Retirei-os antes do câncer.
Por fim, quero dizer aqui que estou quase me aposentando (sou professora universitária), vou fazer 58 anos em setembro e agora sigo fazendo meus exames de mama todos os anos e só posso dizer que nunca estive tão bem! Poder compartilhar esse depoimento é uma maneira de trazer esperança para quem estiver passando por um câncer de mama. Acho que a palavra é essa: esperança! Afinal, a felicidade não é muito diferente disso, não?


Leila Mury Bergmann
Professora Universitária
Porto Alegre, RS

 

 


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