Radioterapia no câncer de mama

O que é a Radioterapia?

Radioterapia é o uso terapêutico da radiação ionizante para o tratamento de condições malignas e benignas. No caso do câncer de mama, a radioterapia costuma ser indicada como tratamento complementar após a ressecção cirúrgica e, eventualmente, como tratamento neoadjuvante (antes da cirurgia) ou como tratamento exclusivo para pacientes sem possibilidade de cirurgia. O tratamento com radioterapia direciona feixes de radiação para o tumor e/ou região com risco de conter células malignas, os quais interagem com o DNA das células e induzem a sua morte celular (Figura 1).

Figura 1. Modelo esquemático demonstrando como o tratamento com a radiação leva à morte das células tumorais.

Qual é a duração estimada de um tratamento com radioterapia?

O tratamento radioterápico da mama costuma ser realizado em múltiplas aplicações (denominadas “frações”), diariamente, de segunda a sexta-feira. As variações no número de frações de uma paciente para outra ou de um serviço para outro decorrem dos diferentes tipos de fracionamento empregados, da dose total indicada e da necessidade ou não de reforço no leito operatório (também conhecido como “boost”). No caso de tratamentos com intenção adjuvante, ou seja, complementar à cirurgia, o número de dias da radioterapia costuma variar entre 13 e 30, sendo 25 dias o fracionamento mais comumente utilizado.

Quais são as reações esperadas do tratamento radioterápico?

O tratamento da mama com radioterapia costuma ser muito bem tolerado e os efeitos adversos são, na maioria das vezes, restritos à região tratada. A alteração aguda mais comum é a radiodermatite ou “radiodermite”, uma reação inflamatória da pele em resposta à radiação. Pode ocorrer vermelhidão, calor local, escurecimento da pele e, eventualmente, descamação. Esses efeitos são transitórios e reversíveis e resolvem gradativamente após o término do tratamento. Quando o tratamento envolve as cadeias de drenagem linfáticas da mama (Figura 2), pode-se ter outros efeitos relacionados a essas regiões. No caso do tratamento dos linfonodos em torno da clavícula (região cervical denominada fossa supra-clavicular), pode-se ter desconforto e dor ao engolir alimentos (por conta da proximidade com o esôfago) e, eventualmente, tosse. Quando os linfonodos da axila também são incluídos no campo da radiação, pode-se ter uma certa piora transitória na mobilidade do membro envolvido, reversível ao término do tratamento. Independente da região tratada, um efeito comum é a sensação de fadiga (cansaço) e fraqueza, que ocorre por conta de liberação de citoquinas pró-inflamatórias em resposta à radiação. Tais sintomas também desaparecem dias a semanas após o término do tratamento.

Figura 2. Cadeias de drenagem linfáticas da mama

Existe risco de toxicidades tardias com o tratamento radioterápico da mama?

Existe, embora sejam infrequentes. Dependendo da área irradiada e de características próprias da paciente (idade, tabagismo, entre outros fatores), pode-se ter um aumento na incidência de fibrose e telangiectasias da pele, fibrose pulmonar e pneumonite assintomática (alterações cicatriciais nos pulmões sem repercussão clínica), hipotireoidismo e, mais raramente, efeitos cardíacos. Esses riscos variam de acordo com a extensão da área tratada e com a inclusão ou não da drenagem linfática no campo de tratamento.

O que definirá se o tratamento radioterápico incluirá a drenagem linfática da mama?

A inclusão da drenagem linfática da mama no campo de tratamento da radioterapia é uma escolha sempre individualizada e depende de diferentes fatores, tais como o estádio tumoral, a existência e o número de linfonodos positivos, o número de linfonodos ressecados durante o esvaziamento axilar e a resposta à quimioterapia neoadjuvante, entre outros.

 


Patricia Izetti
Médica Radio-Oncologista, PhD
Rio de Janeiro, RJ

 

Referências

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  3. Taylor C, Correa C, Duane FK, et al. Estimating the Risks of Breast Cancer Radiotherapy: Evidence From Modern Radiation Doses to the Lungs and Heart and From Previous Randomized Trials.J Clin Oncol. 2017;35(15):1641-1649.
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