A roda da vida

Um câncer sempre nos pega de surpresa, estremece o nosso chão. Tudo transcorria normalmente até o dia em que, de repente, uma dor intensa marcou o início de uma nova etapa na minha vida. Neste dia, meu mamilo inverteu, retraiu, entrou e a aréola ao redor do mamilo empalideceu, perdeu a cor. Logo percebi que coisa boa não era e fui para a internet pesquisar. Constatei que o caso era sério e requeria ação imediata. Em dois dias, consultei com três médicos, até decidir-me pela pessoa que orientaria meu caso; confiante, entreguei-me; coloquei-me em suas mãos… e na do meu Deus.

O suporte emocional veio (e como veio!): no apoio do marido, dos filhos, da família e dos muitos amigos de toda uma vida.

Toda a minha mama esquerda foi retirada, além de 8 linfonodos, por maior segurança. Fiz 16 ciclos de quimioterapia (4 vermelhas e 12 semanais) e mais 28 sessões de radioterapia; perdi todo meu cabelo (inclusive cílios, sobrancelhas e pelos do corpo), minhas unhas enfraqueceram, algumas caíram e minha baixa imunidade me recomendava manter um certo isolamento. O que posso dizer é que o amor da família, minha fé, meus amigos e uma equipe médica maravilhosa, me sustentaram na fragilidade da doença. Havíamos perdido, precocemente, um membro querido e importante da família, um ano e meio antes, para esta mesma doença (um câncer de mama ), o que deixou a todos em pânico e a atenção foi constante em mim.

Durante todo o tempo, me mantive tranquila; fosse o que fosse, eu estava pronta. Acredito que, nesta vida, tudo é passageiro, sempre em constante transformação, inclusive nossas vidas; nascemos, crescemos e morreremos quando for nossa hora.

Perdi meu pai aos 12 anos e aprendi, bem cedo, que, apesar de tudo, a vida continua, se ajeita, e com o passar do tempo a dor ameniza. E, por falar em dor, a única coisa que pedi à minha médica é que não me deixasse sentir dor; só isso.

Agora, passados 3 anos do início, continuo fazendo revisões – primeiro trimestrais, agora semestrais e muito exercício físico (vou na academia 3 vezes por semana).

Agradeço a Deus por tudo, pela nova chance de mais um tempo de vida e até mesmo pela doença, que acredito ter vindo para corrigir algum “desvio de rota” na roda da vida. Valorizo mais as pequenas coisas da vida e me dou mais tempo para curti-las.

 


Marcia Grangeiro Pilger
Bacharel em História
Novo Hamburgo, RS

 


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