A importância do farmacêutico na Oncologia

Em uma era de constante evolução no tratamento do câncer, com inúmeras pesquisas que resultam no surgimento, em profusão, de novos medicamentos, a participação do farmacêutico no cuidado oncológico tem crescido e resultado no reconhecimento do profissional como figura fundamental na equipe multidisciplinar da Oncologia. Para fins de comparação, um dado da International Federation of Pharmaceutical Manufacturers & Associations (IFPMA) revela a amplitude desse avanço: atualmente, mais de 7.000 medicamentos estão em alguma fase de desenvolvimento no mundo e, desses, mais de 1.900 são para o tratamento do câncer. O que ajuda a reforçar ainda mais a necessidade da interação com o farmacêutico é a crescente preocupação com a elaboração de protocolos e medidas relacionadas à segurança do paciente.

O farmacêutico dever manter o paciente e os demais profissionais da saúde informados sobre as características e cuidados relacionados aos medicamentos. Os farmacêuticos possuem conhecimento especializado sobre os medicamentos e seus mecanismos de ação no combate ao câncer. Estes profissionais trabalham juntamente com a equipe médica e de enfermagem para maximizar os benefícios da terapia medicamentosa e minimizar as toxicidades.

O farmacêutico que atua na oncologia tem como principais atribuições:
– controle do estoque e correto armazenamento dos medicamentos;
– preparo dos antineoplásicos injetáveis, visando preservar as características e garantir a esterilidade do produto;
– validação da prescrição médica;
– orientação aos pacientes e
– acompanhamento farmacoterapêutico.

A validação da prescrição é feita analisando-se as características do medicamento, as condições clínicas do paciente e o protocolo de tratamento estabelecido. Nesta avaliação, pode-se destacar a análise de interações medicamentosas, o diluente adequado para a infusão e possíveis ajustes de dose em consequência de reação adversa em ciclos anteriores ou alteração da função renal. Os antineoplásicos são prescritos pela superfície corporal, que é calculada a partir do peso e altura, ou, em alguns casos, pelo peso, e esta é mais uma conferência que o farmacêutico realiza a fim de garantir o uso da correta dose do medicamento.

O início de um tratamento oncológico é um momento muito delicado e de preocupação, especialmente quando o paciente é o responsável pela administração do medicamento de uso domiciliar. A orientação inicial do farmacêutico sobre o uso correto do medicamento e o acompanhamento durante as dispensações são fundamentais para o êxito da terapia e contribuem com a qualidade de vida dos pacientes.


Dicas para pacientes que já fazem uso ou irão iniciar o tratamento com medicamentos orais para o tratamento do câncer:

  • Pergunte! Os pacientes que têm curiosidade em saber mais sobre o seu tratamento têm os melhores desfechos;
  • Informe o seu médico e farmacêutico sobre todos os medicamentos (suplementos alimentares e fitoterápicos também devem ser informados) que você já faz uso, pois algumas interações importantes podem ser evitadas quando esta análise é realizada;
  • Procure administrar o medicamento sempre no mesmo horário e nas mesmas circunstâncias (ex. antes do jantar, ao acordar, após o almoço, etc.);
  • Utilize ferramentas como lembretes no celular ou no computador para ajudar a não esquecer o horário do seu medicamento. Existem vários aplicativos que auxiliam não só a lembrar a hora do medicamento, mas permitem checar a tomada e gravar o histórico sobre o tratamento, entre outras facilidades;
  • Informe seu médico e farmacêutico sobre efeitos adversos durante o tratamento. Em alguns casos, será necessário o uso de medicamentos para náusea e/ou outros que possam minimizar os efeitos indesejáveis da terapia oncológica oral;
  • Armazene os medicamentos protegidos da luz e da umidade e em local que crianças não tenham acesso. Sempre questione o farmacêutico sobre a forma correta de descarte.

 


Fernanda Scola
Farmacêutica
Porto Alegre, RS

 

Referências
1.Bulario ANVISA http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/index.asp
2.Clinical Pharmacists in Oncology Practice. ASCO Pubs. Journal of Oncology Practice. 4(4): 172-174, 2008.
3.Holle L, Michaud LB. Oncology Pharmacists in Health Care Delivery: Vital Members of the Cancer Care Team. Journal of Oncology Practice. 10 (3): 142-145, 2014.
4.INCA. Os múltiplos papéis do farmacêutico na atenção oncológica. Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/87aa0200427f5e868782877318178d38/09-educacao.pdf?MOD=AJPERES
5.The pharmaceutical industry and global health: Facts and Figures 2017; International Federation of Pharmaceutical Manufacturers & Associations (IFPMA).

 


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